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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Hiato

Vastíssimo público, está este mundo cheio de espíritos quebrados e assombrosos hiatos. E este blog é, infelizmente, deste mundo e sofre dos mesmos acidentes e faltas. Lamento portanto dizer que terá um intervalo que não sei precisar. Pode ser pequeno ou infinito, feito dessa eternidade que é no fundo o caixote-do-lixo de tudo.

A quem está aí desse lado um bem haja. Que prossiga, no modo que melhor aprouver, a busca da verdade, a bela verdade, método superior, talvez o único, de cumprir o real sentido da vida que é dizer mal das coisas. Assim que achem uma verdade saberão não só quanta tragédia encerra como quão ridículo é tudo em volta, e por isso vão chorar e rir ao mesmo tempo. Mais tarde cairão no lixo.

Chorai, pois, e ride em simultâneo muitas vezes, nunca vos esquecendo que sois ridículos.

 

 

H   I   A   T   O

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A única coisa que separa a nossa democracia de uma “democracia” sul-americana é a direita. Apesar da sua falta de unidade, dos seus elementos e clãs auto-destrutivos e sem visão de longo prazo, o PPD/PSD é um partido capaz de se organizar quando está no governo. O CDS/PP é uma coisa informe enquanto partido nacionalista de direita mas é responsável na Assembleia (e também o foi nos governos de coligação).

A esquerda, porém, por muitos anos que passem não se aproxima de uma maturidade democrática. O que se vê no PS, agora, faz lembrar os tempos de Guterres, que já faziam lembrar os de Mário Soares: uma política assente unicamente em propaganda mentirosa e retórica desonesta. A diferença é que já nem se preocupa que as mentiras estejam expostas na praça pública. Guterres afastou-se assim que percebeu que a realidade já não lhe dava margem para sustentar as mentiras. Sócrates, que mentiu ainda mais sobre as contas do Estado, e que abusou de recursos do Estado para promover o partido e controlar meios de comunicação (coisa que se sabe porque há provas a circular nos jornais), continua, com a maior cara de pau, no seu posto repetindo que é vítima de sucessivas conspirações da oposição, da justiça e dos media. Chega hoje ao absurdo demente de proferir que não vai aumentar impostos enquanto os aumenta à vista de todos.

A grande diferença entre o PS e a extrema-esquerda é que o PS não expropria terras e permite que se continuem a fazer eleições. No resto, no estilo de fazer política, na ausência de respeito para com as instituições democráticas e para com a Constituição, na incapacidade de transparência, na interpretação mafiosa da vida partidária, é igual.

Em relação à extrema-esquerda eu tenho um sonho. Sonho que um dia a extrema-esquerda, defensora de modelos que só trouxeram (e ainda trazem) desgraça a milhões, seja reduzida em Portugal àquilo que vale. Mas não sonho que isso seja feito como se decidiu face à extrema-direita, por decreto; sonho que a própria sociedade civil, pela inteligência e educação, o vai discernir. Não quero que se trate o país com antibióticos, e um decreto é só um antibiótico: faz a doença desaparecer numa geração mas não sabemos se voltará na próxima. Não, o ideal era o país se tornar imune aos extremismos, não deixando que nenhum alastrasse descontroladamente.

Mas é só um sonho. Nos tempos em que vivo ainda muita gente digere discursos do século XIX como sardinhas e toma gritaria por solução. Voltando à realidade…

Durante os meses em que Santana Lopes ocupou (legitimamente) o cargo de primeiro-ministro criou-se um ruído de fundo ensurdecedor para o destruir. Muita gente terá andado ocupada (e andou mesmo, incluindo gente do próprio partido e o governador do Banco de Portugal, para além de toda a esquerda, desde a esquerda de rua à do Palácio de Belém) a reunir lenha para queimar o herege. Um episódio de alegada pressão sobre a TVI para condicionar o programa de Marcelo Rebelo de Sousa levantou o vento que faltava à obra dos puros. O Presidente da República lá se arrastou, por fim, para acender a lenha – uma ironia cruel para um pobre homem que nunca teve o privilégio de uma faísca dentro de si mesmo.

O resultado foi basicamente um golpe de Estado. É isso que se chama ao afastamento de um governo sem uma razão suficiente: golpe de Estado. É isso que certos socialistas dizem que existiria hoje (apenas hoje) caso Cavaco dissolvesse a Assembleia. Se quisermos medir o sentido de Estado, a qualidade democrática, digamos, das pessoas, comparemos a sua atitude no caso Santana e no caso Sócrates. Em algumas – assustadoramente muitas e em cargos de responsabilidade elevada – as posições são opostas. O que quer dizer que têm claramente interesses acima dos princípios democráticos e que nem se esforçam em escondê-los, quais políticos-gangsters de pequenas ditaduras.

Dificilmente poderemos ter um primeiro-ministro pior do que Sócrates, que consegue reunir numa só criatura a impudência de Soares, a falsidade de Guterres e a incompetência de todos os socialistas juntos. É o melhor líder para o PS e, por consequência, o pior para Portugal.

Uma nota depreciativa também para quem tenha decidido pôr no nome deste indivíduo o de um filósofo que pretendeu salvar as pessoas da mentira e da ignorância.

 

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Diz que foi um congresso…

O Bloco de (Extrema-)Esquerda continua a
sofrer da mania das grandezas, zangado com a RTP e a SIC por lhes darem
menos cobertura ao congresso do que ao do CDS-PP:

 
«o Bloco apresentou ontem uma queixa formal na Entidade Reguladora da
Comunicação Social (ERC) contra um órgão de comunicação. Os bloquistas
queixam-se do "incumprimento pela RTP do seu dever de informação, respeito pelo
pluralismo de opinião e imparcialidade jornalística". Em causa está a cobertura
televisiva da V Convenção, que nos dois canais da televisão pública correspondeu
apenas a um quarto do tempo atribuído (um nono, no caso da SIC) ao recente
Congresso do CDS-PP, que não elegia a sua direcção
política»
 
Impõem-se duas perguntas:
 
Se a SIC é privada e está num país que não se chama Cuba
nem Venezuela, porque é que seria obrigada a servir meia-dúzia de
marginais?
 
Se a RTP é de utilidade pública, não deveria ser
processada, isso sim, por passar mais do que os 0 segundos merecidos a
congressos de pseudo-totalitaristas, e por convidá-los repetidamente para
debater em programas supostamente
sérios?

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Era uma vez um rapaz que julgava que era uma uva e procurava um bom barril para se pisar e fermentar. O seu sonho era ser um bom vinho e ganhar concursos. Nada achando na sua aldeia, porém, que era feita de plástico, foi à aldeia vizinha, onde predominava a madeira. O seu habitante, único, tinha a fama de gostar de vinho e por isso talvez tivesse um barril vazio.  

Ao entrar na aldeia procurou o seu habitante e não foi difícil achá-lo: estava numa posição ridícula, pendurado num estendal, ao lado de um lençol. O rapaz ficou curioso mas preferiu não fazer perguntas para não perturbar:

– Porque é que estás pendurado nesse estendal, habitante?

– Porque, rapaz, é a maneira mais rápida de secar. E tu, porque é que estás encolhido sobre ti mesmo e rebolas em vez de andares?

– Porque sou uma uva, é óbvio.

– Uma uva? Serei a única pessoa normal nesta terra?

– És a única pessoa, por isso deves ser. Mas diz-me: tens algum barril confortável para eu envelhecer e ganhar concursos?

– Devo ter, mas os meus barris não foram feitos para guardar malucos.

– Não, para isso tens o estendal.

– Escuta…

– Não, escuta tu: eu estou a ficar maduro e se não for posto rapidamente a fermentar corro o risco de me transformar numa passa. Para mim ter o barril pode ser a diferença entre uma vida feliz e gloriosa e uma morte tristíssima e tormentosa.

– Então é o barril que faz essa diferença? Talvez o deva guardar para mim.

– Habitante, não me enerves. Dá-me o barril.

– Só to dou com uma condição.

– Qual condição?

– A de tu não o aceitares.

– Isso é mais absurdo que secar pendurado num estendal. Sou uma uva com princípios. Não negoceio com malucos.

– Gostava de saber o sentido da vida. Ó, já estou seco.

O habitante desceu do estendal e dobrou-se.

– De certa forma, apesar de não seres redondo nem teres grainhas, pareces saber o que queres. Por causa disso acho que mereces o barril, mas não to vou dar de qualquer forma. Adeus.

O rapaz viu o habitante entrar em casa e fechar-se à chave numa gaveta do roupeiro. Pouco depois, sentindo-se uma passa, não tentou mais nada e viveu uma existência calada e só.

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Diário 5

«Mas depois nasceu um dia de céu claro e límpido,
transbordante de Sol e erva verde, onde as nuvens caminhavam numa bela procissão
e os cães ladravam muito ao fundo, atrás dos montes cobertos de neve, e em que
veio a peste negra e matou toda a
gente.»

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Maiúsculas

 

– Onde estamos?

– Não sei. Provavelmente não
existo.

– Tão bem a luz nos chega, dali dos montes, que podíamos estar numa
varanda de um hotel qualquer, a conversar e a fazer voar cigarros pelos céus, em
sinal de paz. Algo assim.

– Bem o dizes e pouco me importa.

– Não seria bom acordar cada dia num planeta diferente, só para ver a
vista, hem?

– Preciso de me matar. Com
licença.

– Espera! Com isso não, que é meu. Usa outra
coisa.

– Não! Não me tires o dinamite!

– Dá cá! É o único que me resta! Tem um valor
sentimental.

– Tudo para ti tem um valor sentimental. Porcaria para os
sentimentos! E eu, como é que eu fico?

– Tu não me importas para nada. Voltemos à paisagem. Vês o sol, ali
ao fundo?

– Grande amigo. Só porque não tenho um diâmetro equatorial de 1390000
km e a minha temperatura é inferior a 20 milhões de graus sou segregado como um
cão, ou pior, porque um cão não poderia ter um entendimento tão lúcido sobre o
assunto.

– Ó Pixo, pelo amor de Deus, estava a brincar. Então julgas que eu me
importo mais com o Sol do que contigo? Grande amigo também és para duvidares de
mim. Toma lá a barra de dinamite – é toda tua,
dou-ta.

– Tens a certeza de que é isso que
queres?

– Certezas só Ele as tem; eu tenho amigos. É de todo o coração,
aceita.

– Se todos fossem como tu… Bom, então… ah… Onde é que os pus? Desapareceram, porra.

– Precisas de mais alguma coisa?

– Fósforos. Tens fósforos?

– Já te dei mais do que mereces. Explode e
cala-te.

– Como?

– Cala-te. Vai começar o poente. Aqueles estratocúmulos não tardam a
ficar vermelhos por baixo.

– Devíamos procurar saber onde estamos antes de nos pormos com essas
coisas.

– A Terra é redonda. Por isso, se andarmos na direcção do Sol,
estaremos sempre a ver poentes. Não é um mau raciocínio. Qualquer
dia…

– Não é sem desprezo que o digo: não consigo imaginar nada menos
interessante para fazer do que andar atrás de uma estrela que volta sempre ao
mesmo sítio.

– Ou ela ou nós, não sei. Mas olha: uma nave
espacial.

– Concordo. É uma nave espacial.

– Vai pousar.

– Talvez tenha fósforos.

 

Pousa a nave espacial e sai
de lá um rapaz em forma de ânus.

– Olá.

– Ele disse olá.

– É uma língua diferente da nossa, mas sem dúvida
familiar.

– Olá.

– Não nos deve perceber.

– Bela nave. Parece um cano gigantesco, sem
asas.

– Muito bela, sem dúvida. Mesmo com dúvida parece
bela.

– Olá olá.

– Olá pequeno. Não nos entende. O nosso tom de voz deve ter ruído a
menos para que nos perceba.

– Maldito seja o criador que fez as espécies cujo meio de comunicação
é o ruído.

– Presta atenção, vou tentar comunicar com ele:
RRRRRRRRTENSRRRRRRFÓSFOROSRRRRRRRRRR?

– Arrrgh! Definitivamente arruinaste o meu poente, desajeitado! Onde
é que aprendeste a fazer isso?

– Na casa-de-banho. Quem é que tu julgas que eu sou? Um Hodini dos
intestinos? Algum porco?

– Não importa. Onde é que ele
está?

– Fugiu. Lá vai a nave.

– Eu sabia que não se podia confiar em extraterrestres. Desde o pior
ao melhor são todos iguais.

 

– Este silêncio foi muito
agradável.

– Foi. E nunca é demais repetir as coisas
boas.

 

– Achas? Também tinha pensado nisso há uns tempos, mas acabei por
concluir uma coisa que não me lembro.

– Os meus parabéns, essas são as mais difíceis. A propósito, porque é
que te vais matar?

– Porque não tenho tanto jeito como tu para ver
paisagens.

– Sério? Nunca me tinhas feito um
elogio.

– Também nunca tinha dito uma mentira, por coincidência. Mas não faz
mal. A verdade é que a minha vida era tão vazia, tão vazia, tão vazia, que fui a
um psicólogo…

– Sim senhor. E eu que o diga: isto da noite é uma estopada…

– …E foi-me receitado um desporto à minha escolha. Então escolhi o
suicídio. As melhoras são garantidas, está
escrito.

– …Pontos tão pequenos que é ridículo. Eu tinha vergonha se fosse o
criador disto. Se calhar até criava um negrume colossal de propósito para me
esconder dos olhos das pessoas de bem. Schhh… Não há
direito.

– Sim… Pelos sofrimentos que a vida dá devíamos ter direito a um
espectáculo 24 horas por dia.

– Que é que disseste?

– Nada.

– Nunca disseste nada tão
sensatamente.

– Ora, é só uma palavra…

– Mas estavas a dizer… o suicídio como desporto, e tal…
continua.

– Ah, sim. Inscrevi-me no Clube dos Suicidas Anónimos e tive umas
lições, aquelas mais normais de cortar os pulsos, beber veneno e cair de uma
ponte abaixo. É claro que, como era só para aprender, os pulsos eram de outra
pessoa, o veneno era água e a ponte não era mais alta que um passeio de um metro
de altura.

– E depois?

– Fiz um arranhão na cara e todos me deram os parabéns. É gente
unida.

– E o dinamite?

– Qual dinamite?

– O dinamite que eu te dei.

– Não tenho nenhum dinamite. Estou a brincar, está aqui. Ah ah… É os
nervos. Quero morrer em grande estilo.

– Porquê? Achas que alguém se importa com
isso?

– Eu importo-me com isso.

– E o que é isso?

– Isto?

– Sim.

– Um peixe.

– Um peixe… Compreendo. Alguém nos atirou o diálogo, tão fecundo de
ideias, contra o mais plebeu dos
trocadilhos.

– Plebeu, peixe, pescador, sindicato das pescas… Um comunista! É um
comunista que está a escrever!

– Não pode ser um comunista. Não tem bigode nem cara de mau e
revoltado. É um intelectual, porque tem óculos redondos, com sono, porque tem os
olhos meio fechados, e parvo, porque se ri com piadas sem graça em vez de estar
a dormir.

– Não devias ter dito isso.

– Porquê?

 

FIM

 

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Do Estoicismo

– Quando percebes que o mundo é um lugar perigoso, no sentido mais grave desta palavra, és forçado a uma profunda alteração interior. Continuas a admirar a teia que o teu espírito teceu, mas deixas de lhe chamar universo. Continuas a admirar as potencialidades do Homem, que são também as tuas, os seus extraordinários feitos, as suas criações brilhantes – mas acreditas, em simultâneo, que nada valem nem o Homem, nem a Arte, nem qualquer coisa ou conceito de coisa, escrita ou não com maiúscula, mesmo que
admiravelmente contada. Ficas a saber que há duas mortes, a literária e a real; que a primeira é moldável, que pode ser embelezada, suavizada, considerada com mestria e elevação pela religião e pela filosofia, e heróica, e recompensadora, e encaixada no teu próprio imaginário como a peça de um jogo; e que a segunda é imutável, não há palavras ou explicações que se lhe apliquem. É a morte que não é palavra ou ideia. Não é como a Medusa, que transformava em pedra quem a fitasse, porque todos desaparecem antes de a poder ver. Não é a dor ou o vazio que fica nos que são próximos, porque isso é só dor e vazio.
Lhaxerxes faz uma pausa e limpa o suor da testa.
– Se me querias chamar inconsciente por estar a fazer malabarismos com as motosserras podias ser mais directo. Já tinha pensado nisso sem fazer uma grande revisão do estoicismo. Estou bem preparado, tomo
todas as precauções.
– Ah sim? E isso inclui encostar ferramentas de corte em funcionamento a uma perna?
Lhaxerxes olha para baixo e repara que a perna direita está cortada abaixo do joelho.
– Caramba, já é a segunda vez que isto me acontece esta semana. Começa-me a aborrecer.
– Pensa bem nisto. Eu não te estou a criticar, ou a evangelizar com teorias pré-fabricadas. Estou a pensar, a lançar alicerces, e decerto não é por um idiota que brinca com o não deve. Deves estar feliz por ter cortado essa perna, esse é o meu julgamento. Porque assim, ainda que te aproximes, te opões à morte – pelo sofrimento, pela loucura. Poderemos dizer isto nestes termos, isto é, medir a proximidade à morte? Uma pedra está mais próxima da morte, por não estar viva, do que um cão. Mas um cão deprimido e apático, por ser parecer com uma pedra ao nível das reacções, está mais próximo da morte do que um cão que se agita, mesmo que serrado ao meio em últimos paroxismos.
– Rolhónidas, deixa-me ser eu a dizer se estou feliz ou não. Estou, por um lado, zangado por ter perdido uma perna. Mas por outro estou contente, porque fiz o que me apeteceu. Não é o “apetecer” a mais
elevada manifestação da vida? Prepararmo-nos toda a vida para a morte, dizem vocês, os estóicos… Vocês nunca sentirão glória. No máximo, o melhor dos estóicos morre em paz, sentindo harmonia no que lhe está a acontecer. É feliz, finalmente, mas só à beira do fim. O estóico só pode ser feliz nos últimos segundos da sua vida. É para isso que deixa de fazer o que lhe apetece e anda todo o tempo com ar grave e pensamentos pesados sobre a morte?
– Talvez tenhas razão, Lhaxerxes. Posso trilhar um caminho infeliz para a felicidade, e se morrer rapidamente nem tiro proveito disso. Posso ser um velho, e arrepender-me, e ser tarde demais para voltar atrás. Mas vejo as coisas lucidamente: pelo menos tenho as duas pernas.
– Eis um golpe baixo, próprio dos velhos. Mas talvez também tenhas razão, Rolhónidas. Quem sabe? Se morreres lentamente, serás mais feliz nesses momentos do que eu em toda a minha existência. Se morreres rapidamente, metade do que eu vivi até hoje terá valido mais, na escala da felicidade, do que duas vidas tuas. Nada como o método científico para dissipar as dúvidas.
Num golpe rápido mas cirúrgico, Lhaxerxes corta a barriga a Rolhónidas e os seus intestinos espalham-se pelo chão.

(…)

[O diálogo continua no livro “Diálogos Imbecis”]

 

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