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Archive for the ‘News and politics’ Category

Os Resultados Eleitorais

Uma demonstração, muito tardia, de lucidez colectiva.

Portugal teve de se abeirar da bancarrota, depois de multiplicadas mentiras de um governo demente e criminoso, para tomar consciência de que a esquerda, no seu todo, não serve ao progresso e à estabilidade, nem arranja espaço, na sua agenda de luta partidária incessante sem olhar a meios, para o interesse nacional. Mas muito tarde. E se calhar por pouco tempo.

Olhemos entretanto para os resultados destas eleições. A extrema-esquerda no seu conjunto perde 7 deputados. O CDS fica com tantos deputados como o BE e a CDU juntos. É uma derrota esmagadora para o Bloco de Esquerda em particular, que fica reduzido a 8 (não chega a “partido do taxi”, mas passa a ser o “partido da carrinha pão-de-forma”).

O PS, abaixo dos 30%, e ainda que tenha contado mais votos do que merecia, sofre uma derrota histórica e justa. Melhor ainda, Sócrates abandona o cargo de secretário-geral e diz não aceitar cargos políticos nos próximos anos. É claro que as palavras deste senhor exigem sempre alguma desconfiança (ele também dizia “não estar disponível para governar com o FMI” e pouco depois, chamado o FMI, candidatou-se na mesma a primeiro-ministro), mas são um bom augúrio. É o único bom augúrio que Sócrates alguma vez ofereceu ao país. O seu afastamento “voluntário” é a primeira medida deveras capaz de ajudar Portugal.

O PSD consegue mais deputados do que toda a esquerda junta e é o vencedor destas eleições. É uma escolha inequívoca, não digo do povo português porque a abstenção foi novamente elevadíssima (41%), mas dos que votaram e decidiram. Quanto a mim a melhor escolha (e também a única escolha) possível.

A euforia, porém, é triste e ansiosa.

É triste que tenham sido dadas condições ao PS para trazer o país a este estado miserável. É triste que o voto não seja ponderado mas meramente reactivo, o que abre a hipótese de outros retóricos alucinados como estes socialistas que estiveram no governo sejam apoiados e eleitos em futuras eleições, pondo em causa todos os esforços dos portugueses e a qualidade de vida das próximas gerações.

A ansiedade, por seu lado, olha para o próximo governo. Será um governo excepcional como as maiorias de Cavaco Silva? Não sabemos, e se não for, na condição frágil em que estamos, poderemos afundar ainda mais.

Uma última nota para as sondagens: todas falharam. As empresas de sondagens parecem ter embarcado nas ilusões do Partido Socialista, insistindo nas últimas semanas na possibilidade de “empate técnico” entre PS e PSD, algumas dando mesmo a vitória ao PS. Talvez tenha sido azar nas amostragens, talvez tenha sido incompetência, e talvez tenha sido algo pior, como uma tentativa concertada de influenciar as eleições. Seja como for, não terão a mesma credibilidade em próximos actos eleitorais.

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O robô e a máquina de propaganda – Opiniao – Sol.

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Alguns episódios da campanha que ilustram o “espírito democrático” do PS, a sua receptividade a críticas populares e a consequente tolerância – para quem andou um pouco distraído nos últimos anos (e com os olhos completamente tapados nos casos Freeport, Face Oculta, roubo de gravadores…):

«Rui Beles Vieira, de 37 anos, foi conduzido à Esquadra da PSP de Faro durante o comício de José Sócrates no largo da Liberdade, anteontem à noite, por ter recusado identificar-se perante polícias à paisana. O homem, de visita ao Algarve, estava entre o coro de protestos que perturbou a manifestação socialista.

Em comunicado ontem enviado à agência Lusa, Rui Vieira, que trabalha como teleoperador em Porto Salvo, Oeiras, admitiu ser um turista que parou junto ao comício e se sentiu “indignado” pelo “discurso de mentiras”. Nega pertencer a qualquer partido ou movimento e garante que da sua boca apenas saíram frases acerca do PS, “referindo-me à condição precária de milhares de portugueses”.

Perto do comício estiveram dois elementos da Comissão de Utentes da Via do Infante (A22), empunhando um cartaz contra as portagens, e um elemento do Movimento 12 de Março (geração à rasca), apelando a uma auditoria às contas públicas. Os apupos destes e mais cerca de meia centena de populares perturbaram os oradores no comício, levando a PSP a identificar oito pessoas no local, a pedido da organização, e mais uma – Rui Vieira – na esquadra.»

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/legislativas-2011/turista-indignado-por-detencao-em-comicio-do-ps

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«No salão de festas, onde iria decorrer o almoço, quatro pessoas ligadas ao Externato (dois pais e dois jovens alunos), que tinham reservado uma mesa para oito pessoas, estavam sentados à espera de Sócrates. Foram reconhecidos por elementos do PS de Torres Vedras e autarcas locais, que os avisaram de que ali seria proibido qualquer discurso ou protesto.

Paulo Gonçalves, presidente da Associação de Pais, que estava à mesa, respondeu que o objectivo da sua presença ali era pacífico e pretendia apenas manifestar o descontentamento face à política do Governo para as escolas com contrato de associação: “A ideia seria levantarmo-nos quando Sócrates começasse a falar”, explicou ao PÚBLICO.

Contudo, depois de terem sido reconhecidos, foram rodeados por vários “jotinhas” e dois adultos que, segundo Gonçalves, o “ameaçaram” e começaram a “empurrar”. “Dada a minha condição física – tenho uma doença crónica e 60 por cento de incapacidade de movimento nas pernas – qualquer empurrão é violento”, disse.

O grupo que os rodeou escoltou as quatro pessoas até ao exterior. E foi então que se assistiu a grande discussão e confusão, envolvendo, entre outros, o vereador Carlos Bernardes e o presidente da Câmara de Torres Vedras, Carlos Miguel.

Segundo Gonçalves, foi Carlos Bernardes quem se mostrou mais agressivo, utilizando “linguagem vernacular”, além de lhes chamar “palhaços” e miseráveis”. A tudo isto assistiu o comandante da GNR local – aliás, nunca nenhum almoço da campanha do PS contou com tão grande efectivo de agentes da autoridade.»

http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/gritos-e-confusao-a-porta-de-almoco-do-ps_1497010

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«O líder do PS estava a falar sobre “o sorriso na boca dos socialistas” e sobre a “luta com alegria e tranquilidade” desta campanha quando um homem, em cima de um banco, começou a gritar “mentiroso, mentiroso”. Sócrates deverá ter ouvido, mas não fez qualquer pausa na sua intervenção.

Mal se deu conta do protesto, um membro da comitiva socialista abordou-o e encaminhou-o para fora do largo. O indivíduo, um cidadão italiano fluente em português, saiu pacificamente. Ao PÚBLICO explicou que mora em Caneças e desconhecia a realização do comício do PS. “Achei que podia vir protestar, mas afinal não”, disse, reproduzindo ainda as palavras do membro da comitiva. “É melhor retirar-se para evitar problemas.”

Poucos minutos depois, num outro local, uma mulher, acompanhada pelo filho, gritou: “E os 150 mil postos de trabalho?”. Um dos jovens da caravana socialista deslocou-se logo para o lugar onde ela estava, utilizando uma grande bandeira como uma cortina para a ocultar. Ao PÚBLICO, Patrícia Quintão, explicou que está desempregada há um ano e é mãe solteira. “Foi-me reduzida a bonificação monoparental. Recebia 43 euros e agora recebo 20 euros”; explicou.

Quando Sócrates terminou a intervenção, Patrícia não estava muito longe do carro do primeiro-ministro demissionário, pelo que o “jotinha” encarregado de abafar o protesto mostrou-se bastante diligente ao acenar vigorosamente a bandeira – assim, Patrícia não poderia sequer ver o líder do PS. »

http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/bandeiras-do-ps-abafam-protestos-em-canecas_1496979

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Disse recentemente o “Eng.” José Não-Estou-Disponível-Para-Governar-Com-o-FMI Sócrates:

«Não tenho respeito por aqueles que um dia dizem uma coisa e, passado uns meses, dizem outra»

Um falso homem mas um verdadeiro palhaço.

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PS e PSD

Pela Europa fora observamos que, em reacção à crise, aos erros e às mentiras dos responsáveis, as populações dão derrotas históricas aos que os governaram nos últimos anos. Mas em Portugal o partido do governo, depois de uma acção desastrosa, múltiplos erros graves e actos e palavras que desrespeitaram o Estado de Direito e a própria democracia, consegue competir com a oposição e ter a esperança de uma reeleição. Porquê?

Já aqui apontei algumas razões, como a iliteracia funcional de grande parte do povo, que o torna permeável a mentiras, meias-verdades, propaganda, e também a infiltração anormal que o PS tem na comunicação social, desde repórteres a agências noticiosas, que lhe permite explorar de forma mais eficaz essa iliteracia. Apontei também a notável ausência de barreiras como a ética e a moral, o respeito e a honestidade, no caminho do PS, que lhe dá uma flexibilidade maior nos meios que usa para chegar aos fins.

Não apontei contudo um aspecto relevante, que é a organização desses dois partidos. Qual é a diferença entre o PS e o PSD enquanto máquinas partidárias capazes de se auto-promover, chegar e manter-se no poder, rivalizando com a popularidade dos adversários mesmo nas circunstâncias mais adversas? Se o PS jogasse, por hipótese, com as mesmas armas do PSD, teria na mesma vantagem? A resposta é “sim”, por causa da sua organização.

Os que se afastam demasiado da política, ou que lhe estão demasiado próximos, tendem a ignorar este ponto. Usarei, para ilustrar a organização de um e outro, uma metáfora militar. Comparemos PS e PSD a dois exércitos antigos, digamos do tempo em que os romanos lutavam com tribos bárbaras como os teutões, os gauleses ou os lusitanos.

Os exércitos romanos nem sempre tinham a vantagem do número, da experiência ou do talento individual para combater. Eram, porém, uma organização hierárquica bem definida e disciplinada, onde cada soldado sabia qual era a sua posição e o que fazer no teatro de guerra. Em combate, o exército mantinha, até ao limite do possível, a sua formação, cada legião, cada coorte, cada centúria, cada homem obedecendo às ordens do seu superior.

Do outro lado, as tribos bárbaras prezavam acima de tudo a coragem individual e o talento de combater, e possuíam guerreiros temíveis. As tribos teutónicas, por exemplo, assustavam pela sua ferocidade cada romano. O seu número era também assustador. No entanto não tinham um exército disciplinado, não combatiam em formação e por isso a sua força, como um todo, era menor que a das legiões romanas.

O PS é, nesta perspectiva, um exército romano. Demasiado disciplinado, diria, para um partido criado há menos de 4 décadas (o que faz desconfiar que a sua organização é mais antiga, muito provavelmente uma maçonaria que o usa, entre outras armas). Definida a estratégia, combate como um todo, cada elemento obedecendo a ordens, repetindo os argumentos combinados, sem a dissonância fragilizante de ideias próprias. A disciplina e a cadeia de comando são de facto notáveis no PS quando se vê, de um dia para outro, os mais distintos combatentes, desde ministros a desconhecidos militantes, alinharem sem desvio na mesma argumentação, na mesma ilusão, na mesma mentira, no mesmo boato, muitas vezes sem respeito pelo seu prestígio académico e profissional, pela ética e pela honra. Porque preferem o prestígio dentro do seu grupo, a ética partidária, a honra de defender o partido.

Ora bem, desta forma os ataques dos adversários só teriam efeito se fossem feitos da mesma forma, com a mesma unidade, com a mesma força de conjunto. Aparencendo isolados, por muito lógicos e demolidores que sejam, têm pouco efeito nas linhas do PS (o mesmo método militar, aprendido outrora nas escolas soviéticas, rege o PCP).

O PSD, por seu lado, combate de forma amadora, como as tribos de outrora, sem uma formação de conjunto, dando liberdade de voz e pensamento a cada um dos militantes (ou não a conseguindo impedir), como se estivesse numa democracia e pudesse tirar partido das suas regras ingénuas – como se os eleitores premiassem, alguma vez, a liberdade! Tal é o que mais fragiliza o PSD e o torna um adversário fraco, por muito extraordinários que sejam os seus dirigentes, comentadores e outros militantes.

Quando os exércitos avançam um para o outro, o do PSD parte corajoso mas desorganizado, abrindo brechas nas falanges. O PS, coeso, aproveita essa vantagem para isolar pedaços das tropas do PSD e destruí-los um a um. Tem assim uma enorme vantagem mesmo quando o terreno não lhe é favorável, como na presente campanha, atacando caso a caso, confundindo declarações pessoais com posições do partido, demolindo a credibilidade de cada interveniente.

Um contra um, como se tem visto, o PS perde de forma retumbante. O debate de Passos Coelho com Sócrates foi disso o expoente máximo, mas vemo-lo diariamente em debates televisivos (figuras de segunda linha, como João Soares e Alfredo Barroso, fazem figura ridícula, e outras de primeira linha, como Augusto Santos Silva ou Francisco Assis, provam regularmente que vivem para repetir a cassete do partido através de retórica cínica e desonesta). Comparar António Costa com Pacheco Pereira, na Quadratura do Círculo, é comparar um escravo com um homem livre. Outros exemplos surgem facilmente. Em geral, e julgando pelo que é objectivo e lógico, e não pelo que convencerá as multidões, o social-democrata vence o socialista porque emprega uma argumentação própria, criada por si e não pelo partido, livre para se basear em toda a realidade e não apenas no estreito discurso oficial da Direcção.

Pequenas vitórias, em pequenas escaramuças, contudo. Num choque de exércitos o PS, com o seu aperfeiçoamento militar, tem sempre mais hipóteses de vencer. Durão Barroso ganhou porque na altura o PS foi surpreendido pela auto-crítica e demissão do próprio líder, Guterres, e demorou a reorganizar as forças e a mobilizá-las (a auto-crítica está para o PS como o ácido clorídrico para um cano entupido). Manuela Ferreira Leite tinha razão em 2009 em praticamente todas as suas críticas à legislatura de Sócrates, mas não tinha exército coeso que se possa dizer que, como um todo, lutasse pela mesma razão, e perdeu. Passos Coelho sofre da mesma debilidade do PSD enquanto máquina de guerra. A liberdade dos sociais-democratas, bem como o seu orgulho individual, leva a que num dia a imprensa seja feita de frases de Passos Coelho, Santana Lopes, Morais Sarmento, Luís Filipe Menezes, Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira, Marques Mendes e outros, todas com mensagens distintas, apontando em direcções diferentes, muitas vezes contradizendo os próprios companheiros. Do lado do PS os que põem notícias nos jornais fazem-no todos pelo mesmo guião, repetindo a mesma cassete, contra o mesmo alvo, sem liberdade ou ideias próprias mas com disciplina e eficácia. São verdadeiros soldados, pagos para obedecer a ordens e não para pensar livremente. O único orgulho que se admitem ter é o da vitória do conjunto e jamais o individual, virtude que o PS paga sem olhar a custos.

O povo em geral não processa a informação. A que lhe for repetida mais vezes, da mesma maneira, é a que lhe fica na memória, faça ou não sentido, esteja ou não de acordo com a realidade. O PS sabe que não tem de se preocupar com factos para fazer a guerra política. Mas no PSD muitos dos influentes, por orgulho intelectual, não se separam dos factos. Teimam, numa demanda pessoal, em interpretar, analisar, ajuizar, debater, complicando, os assuntos que lhes apetece, como se não tivessem qualquer vínculo, muitas vezes criticando pelo meio o próprio partido – não por desfaçatez, mas por ser necessário à perfeição dos seus raciocínios. Ou seja, acabam a combater sozinhos, cada um por seu lado, e todo o conjunto perde muito cedo a força que seria necessária para enfrentar a sólida falange socialista. No fim terminam todos, com os seus raciocínios independentes, independentemente caídos pelo campo de batalha.

Uma das tácticas dos socialistas é lançar sofismas sobre mensagens do PSD, fazendo distorções do que foi dito, apontando potenciais incoerências, multiplicando acusações ou produzindo associações caluniosas. Quase sempre resulta. Lançado o assunto polémico, o “isco”, basta esperar que os variados pensadores do PSD se entretenham a desenvolver o assunto, cada um por si, num processo colectivo de auto-destruição. Parte da imprensa é antecipadamente mobilizada por influência directa dos socialistas, e quando começa a haver fumo o resto da imprensa vem a correr como um grupo de hienas para um cadáver fresco, produzindo depois um barulho ensurdecedor sobre o caso do dia e mostrando, muitas vezes com reportagens truncadas e uma habilidade singular para o melodrama de baixo orçamento, a mancha de sangue que alastra das divergências entre os voluntariosos pensadores do PSD.

É por isso que faz cada vez menos sentido em Portugal usar as palavras “liberdade” e “democracia” na mesma frase. A democracia depende do sucesso de partidos políticos, e esse sucesso, como nos mostra a esquerda todos os dias com assinatura da população, depende da inexistência de liberdade dentro de cada partido. Os últimos anos mostram bem que seja qual for a realidade um partido que esconda, minta mas aja como um exército tem mais sucesso do que outro que avise, diga a verdade mas aja como uma tertúlia.

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A estratégia do PS é curiosa. Cretina como sempre mas ultrapassando os limites do razoável, pela zona do patético, em direcção ao demente. É, agora, uma vez mais, e para além da habitual negação da realidade, entalar o PSD apontando contradições (ou melhor, tudo o que possa parecer-se com uma) no seu programa eleitoral e nesta ou naquela declaração. Sócrates foi buscar, até, a acta de reunião de uma empresa em que Passos Coelho era administrador para achar contradições entre o discurso de agora e o de outrora (que desespero deve ter havido nos farejadores do PS para uma acta ser o seu melhor achado!). Exploram todas as hipóteses dadas por gente do PSD, como as sobre a taxa social única, como se fossem certezas, apontando depois que não podem existir tantas certezas sem haver uma grande confusão. Vão buscar até o projecto de revisão constitucional discutido há um ano, e que já caducou pela dissolução da Assembleia, para confrontar o PSD consigo próprio. Dizer que não é possível um debate útil sobre alguma coisa vindo do PS, mesmo em situação de vida ou morte, tornou-se uma lapaliçada.

Quem faz isto são altos responsáveis do PS sincronizados – os mesmos que têm atirado mentira sobre mentira ao país, com distinção para aquela teoria mentecapta de que foi o chumbo do PEC 4 a única causa da desgraça e da necessidade de ajuda externa. Esta gente, cujas contradições serviram para atirar o país para a bancarrota, acusam os outros de contradições. Acusações, no mínimo, duvidosas para quem tenha um QI médio (embora desconfie que não é esse eleitorado que o PS deve querer conseguir; avaliando pela estupidez atroz do actual discurso deve ser gente com QI entre 20 e 90, isto é, entre a debilidade severa e o embotamento ligeiro).

O PS decidiu, há muito tempo, não falar para gente informada e com juízo crítico. É a sua estratégia, é assim que consegue manter-se no poder em Portugal. Mas nunca tinha atingido um nível “Hugo Chavez” tão elevado como nos últimos 3 anos, com tanta distância entre o discurso e os factos, tanto desrespeito pela lei, pela própria democracia e pela verdade em si. Um dia a maioria dos portugueses vai perceber que o que tem eleito para governar o país é um inacreditável monte de lixo tóxico – e vai pasmar, indignada, como se pudesse ter a desculpa de ter sido apanhada de surpresa. Acredito que, a não ser que deixemos que o regime mude para algo semelhante ao da Coreia do Norte (o que reescreveria os livros), a História se encarregará de fazer justiça. No entanto ninguém fará justiça às próximas gerações.

Voltando ao tema, e a este preciso ponto do tempo, a estratégia simples é urdir mentiras e fazer acusações suficientes para pôr o PSD à defesa, ocupado a desmontar enganos e boatos, e pôr todo o foco da comunicação social nas propostas polémicas, deslizes e incoerências do PSD (porque um dos pontos fracos do PSD, bem apercebido pelo PS, é não impôr uma disciplina militar no partido e sincronizar todas as opiniões e pensamentos, como faz o PS, deixando que cada um possa ir aos media dizer o que pensa ou defender o PSD como acha melhor, o que obviamente promove dissonâncias que os socialistas tanto gostam de aproveitar), não tocando muito nos últimos anos de governação socialista, nas suas mentiras e no vazio de soluções que advém da sua natureza panfletária. Não há nada mais desagradável ao PS do que a realidade, a justiça e a inteligência. Talvez por isso, quando Passos Coelho não encaixou na armadilha e contra-atacou a sério no debate com Sócrates, confrontando-o com factos muito relevantes, este último tenha ficado com a imagem tão próxima daquilo que é na realidade: um animal político inútil, encurralado pelas suas próprias mentiras, uma incompetência atroz, total ausência de escrúpulos e, pior que tudo o resto, uma agenda exclusivamente partidária onde o povo, o governo, as empresas públicas, o Estado no seu todo, não passam de meios.

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O Programa e o Défice

O programa eleitoral do PS de 2011 segue a linha de todos os programas do PS, sejam eles eleitorais ou de governo – isto é, não passa de uma transcrição da cassete do partido, nesse aspecto muito semelhante a um qualquer panfleto comunista (de facto a única crítica injusta que hoje se faz ao PS é acusá-lo de não ser de esquerda).

A persistência socialista numa realidade paralela – vendida pelo seu duvidoso aparelho mediático a um eleitorado pouco exigente – vai, contudo, descaracterizando o discurso. O que era antes desonesto torna-se burlesco e o que era primário torna-se ridículo.

Este programa eleitoral em particular é, pela sua génese, um gracejo. Antes de se ler a primeira palavra é já uma piada, dado que foi elaborado antes do PS conhecer o memorando da ajuda externa. Ou seja, é um programa que tem por base algo que necessariamente não é a realidade, fazendo logo adivinhar que o que está lá dentro não passa de uma amálgama de disparates.

O que, página a página, se pode verificar. Concentro-me num deles, um dos mais falados: o défice de que o PS pensa partir para fazer a recuperação do país. Diz isto o programa:

«E, na verdade, a execução orçamental de 2010 fez recuar significativamente o défice orçamental.

Tendo em conta a base comparável, isto é, o mesmo universo das administrações públicas considerado para a determinação do défice de 2009, o défice de 2010 foi de 6,8% do PIB, isto é, menos 2,7 pontos percentuais do que no ano anterior. Este é um indicador evidente do esforço de consolidação realizado.»


Isto dá uma ideia da alucinação que comanda o partido que já governou o país mais de 12 anos desde 1995. Num dos muitos auto-elogios despropositados plantados pelas páginas, este diz que o défice de 2010 foi 6,8% do PIB e o de 2009 mais 2,7 do que este, ou seja, 9,5%.

Ora bem, nem um nem outro correspondem à realidade. O de 2010 foi 9,1% e o de 2009 foi 10%. A redução não foi de 2,7, e sim de 0,9, e feita à custa de dois planos de austeridade atirados de surpresa ao país por um governo que sempre escondeu, até ao limite, as más notícias (isto é, as que lhe podem tirar votos).

Portanto um défice de 9,1%, 21 mil milhões de euros, é o verdadeiro “indicador evidente do esforço realizado”. Para repetir o desastre absoluto que foi a execução orçamental de 2010 (não superado apesar de 3 vezes, nesse ano, se decidirem medidas de austeridade extraordinárias), seria preciso uma nova reforma agrária.

Uma curiosidade neste programa surreal: a ausência do ano anterior, 2008, ano em que o PS ainda governava com maioria absoluta. Não há comparações com este ano. Porquê? Talvez por a subida do défice de 2008 para 2009 ter sido de 7,4. Um número pequeno que corresponde a mais de 17 mil milhões de euros…

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