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Archive for Fevereiro, 2011

No fim de mais um debate quinzenal digno de ser descrito por Eça de Queiróz, onde a guerrilha partidária bloqueou qualquer fresta de interesse nacional, Louçã veio anunciar que daqui a um mês apresenta uma moção de censura.

Qual a primeira atitude da bancada do PS? Bom, por muito surreal que seja, Francisco Assis vem repetir a estratégia do último orçamento de estado: pressionar o PSD, já pensando na hipótese de eleições breves. Só que não é o PSD que vai apresentar a moção, é um partido da família política da esquerda… Parece que os socialistas viram sempre o discurso contra o seu maior adversário, a sua potencial alternativa, o que lhe pode tirar mais votos em eleições – porque não pensam noutra coisa, não agem por outra razão. É um partido que claramente não foi feito para governar, sem sentido de estado e descarado desrespeitador da inteligência dos cidadãos.

Atira também um argumento surreal para justificar a pressão (quase um ultimato – só fartou avançar a data e a hora em que o PS exige a resposta de que a Constituição nem fala): que o país não pode estar em clima de instabilidade durante um mês… o mesmo país que tem estado instável nos últimos anos –por causa do PS. O mesmo que tem a dívida descontrolada, o desemprego descontrolado, a economia em declínio, e em que no actual estado de coisas ninguém confia já, nem portugueses nem estrangeiros.

Sei bem que vou soar como a voz do povo, mas que diabo: do BE ou do PCP, do CDS ou do Presidente, venha alguma coisa que varra esta lixarada de mentirosos, caluniadores, corruptos e incompetentes.

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Ipse Dixit Neto

«Foi dirigente do Partido Socialista e deputado, Henrique Neto é actualmente uma das vozes mais críticas dentro do PS. Em entrevista ao jornal «i», esta terça-feira, o ex-deputado defende que António José Seguro deve «avançar» na corrida à liderança do partido e assume que o PS «vai pagar duramente estes anos de José Sócrates» por que «os erros são tantos».

Em vésperas do congresso socialista, Henrique Neto é duro nas palavras que usa para falar de José Sócrates. Na sua opinião o líder rosa «censura os críticos nas reuniões do PS». O ex-deputado lembra que «a partir de António Guterres começou um processo muito forte de centralização e os grupos que tomam conta do partido são cada vez mais pequenos. É sabido que José Sócrates foi escolhido numa reunião entre oito ou nove pessoas. O Jorge Coelho, o António Costa…».

Se continuar neste caminho, Henrique Neto não tem dúvidas que o PS vai ficar «afastado» do poder muito tempo. «Nas actuais circunstâncias, a única alternativa do PS era ganhar consciência dos erros que cometeu e tentar convencer os portugueses de que tem capacidade para os corrigir», explica ao «i».

Henrique Neto não tem dúvidas e assume que «o partido vai pagar duramente estes anos de José Sócrates. Os erros são tantos, e de tal maneira graves, que põem em causa a independência nacional. Estamos cada vez mais dependentes do exterior e o PS vai ser penalizado por ter feito muitas asneiras, mas também por não ter feito nada, até à última hora, para as corrigir».

Para o lugar de Sócrates o ex-dirigente rosa considera que António José Seguro é a melhor escolha. E Porquê» «Porque o partido precisa de alguém que não seja um seguidor cego e que, como ele, tenha um pensamento próprio e mais estruturado».

Mas há mais nomes possíveis na linha sucessão: «Há alguns que são conhecidos. O António Costa, que já disse que não queria por razões tácticas» e «o líder da bancada, Francisco Assis, que disfarça mal que tem esse objectivo».

Mesmo que não seja para ganhar, Henrique Neto defende que «seria útil» para António José Seguro «marcar o terreno» e deixar que «os portugueses o conheçam melhor e conheçam melhor as ideias que tem».

Mas há outro nome que não escapa às críticas de Henrique Neto: «Almeida Santos tem culpas enormes na falta de democraticidade interna do partido. Controla tudo. Só dá a palavra verdadeiramente a quem quer, corta a palavra, diz que não há tempo…».

Sem hesitar afirma que «há censura. O presidente do PS, com o estatuto que tem, inibe as pessoas de dizerem aquilo que pensam e mesmo quando dizem há uma censura imediata. Há um clima de pressão, mesmo não sendo preciso, porque seriam críticas isoladas. Tem sido um processo contínuo de limitação da liberdade interna».»

http://www.agenciafinanceira.iol.pt/politica/ps-henrique-neto-socrates-antonio-jose-seguro-almeida-santos-tvi24/1231596-4072.html

Pobre Henrique Neto… Sem dúvida uma excepção dentro do aparelho socialista (não direi uma esperança!), alguém que ainda não foi sufocado e que, justiça seja feita, tem tido ao longo dos anos a coragem de não alinhar pela retórica terceiro-mundista (para consumo de idiotas) e o modus operandi anti-democrático (para aproveitamento de parasitas) do partido.

Mas…

Não há muitos Henriques Netos dentro do PS. E tem de escolher, para manter a lucidez, uma alternativa a Sócrates – dentro do PS. António Costa, Francisco Assis, A. J. Seguro… Pobre homem! Não pode escolher senão o mal menor, este que não sabe que a fórmula da felicidade e do sucesso dentro do PS nada tem a ver com a coragem, a verdade, o pensamento próprio ou o livre-arbítrio.

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9

«Os portugueses são os que menos confiam no Governo entre um grupo de 23 países analisados num barómetro que avalia o nível de confiança nas empresas, Governo, ONG e media, que hoje será divulgado.»

Bem feita, para não votarem com os olhos tapados. Pela democracia é bom que tirem algumas conclusões rapidamente sobre o partido do governo.

«Face a 2010, o «Governo é a única instituição cujo nível de confiança se reduz», refere o estudo. No ano passado, 27 por cento dos inquiridos afirmou confiar no executivo, um valor que desceu para nove por cento

http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=11051

9%? Esse número não me é estranho. Estará relacionado com

http://www.publico.pt/Educa%C3%A7%C3%A3o/quase-um-milhao-de-analfabetos-em-portugal_1399698

«A última actualização destes dados do Instituto Nacional de Estatística revela que, em Fevereiro deste ano, o analfabetismo em Portugal se fixa acima dos nove por cento

?

Coincidência? Mmm…

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Tron, o Badamerdas

Ninguém me vai ouvir praguejar contra o Tron original. “Por ser um bom filme?” – não, por ser um bom filme para a sua época. A minha crítica seria anacrónica, deslocada, quase paradoxal e por isso injusta. Despejar a crítica sobre o Tron de 1982 seria idêntico a rotular os sumérios de imbecis por não terem televisão ou ridicularizar a cabeleira do Marquês de Pombal.

Cada coisa tem de ser avaliada consoante o seu tempo e o seu espaço. Nenhum homem é uma ilha, nenhuma coisa acontece a partir de coisa nenhuma ou longe de todas as outras. A não ser que “coisa nenhuma” caiba na definição de coisa. A não ser isso – e o facto de uma ilha ser uma coisa. Mesmo assim será necessária outra qualquer para dar a definição, que também é uma coisa e de tal modo impede a segregação categórica.

Assim mesmo, sejamos justos. Em vez de chamarmos imbecis aos sumérios apliquemos o epíteto aos Amish; em vez de ridicularizarmos a cabeleira do Marquês ridicularizemos o regresso dos óculos escuros tipo Amália, feios como o medo, aos dias modernos.

Praguejemos contra a deselegância de dar nomes a matéria fecal – contra o Tron Legacy.

O Tron Legacy é, antes da própria definição, um atentado contra a felicidade. “Ditosos a quem acena / Um lenço de despedida / São felizes – não estão a ver a porra do Tron Legacy”. Passando isso, é um filme de 2010 que pretende ser a continuação do Tron de 1982.

Muito bem, por onde começar? Quero seguir o discurso das impressões – para te surpreender, leitor, para te desenjoar da crítica estruturada e objectiva, quero que conheças a paisagem do que sinto depois de ver este filme.

Primeiro sinto-me lobotomizado num planeta distante, universo paralelo, por aliens mongolóides parecidos com o Kim Jong-Il. A ideia central do filme tem a estupidez de uma multidão de esquimós nus à procura de peixe no deserto: a ideia de que seres humanos podem, por uma genial engenharia, transferir-se de corpo e alma para um mundo gerado por computador. Sim, eu disse “genial engenharia” – foi esse o melhor argumento para permitir a história, um génio informático que faz um programa tão bom, tão bem feito, que consegue ir morar lá para dentro. O roupeiro que dá para outro mundo, nas “Crónicas de Narnia”, é espantosamente mais credível que a “passagem” de Tron através do computador (?). O Rato Mickey é mais real. Que diabo, o “Bad Taste” de Peter Jackson, com os seus extraterrestres parvos de cu gigante a raptar seres humanos para fazer fast food, é a realidade perto disto.

Uma náusea irrompe, mas não uma náusea normal. É como se tivesse o estômago forrado a bolor. O génio cria um mundo genial, com uma inteligência artificial fora de escala. Há nesse mundo criaturas (ou “programas”) pensantes feitas à imagem do génio, que ali é uma espécie de deus omnicriador. Muito bem – diz a boa vontade – e que fazem essas criaturas brilhantes com todo o seu brilhantismo, nos seus domínios de tecnologia de ponta? Jogam jogos parecidos com os jogos de vídeo dos anos 80. O mais extraordinário de todos, o seu chefe, feito à imagem do criador, tem um sonho: sair do mundo digital para ir destruir o analógico. É como investir muitos milhões para produzir em laboratório uma doninha super-inteligente – e reparar no fim que tudo o que ela consegue fazer é dar bufas.

Uma frustração sufocante como  vender areia aos tais esquimós do deserto. Ainda sinto o aperto. Possivelmente  um sintoma de stress pós-traumático.  Os humanos que entram para o computador são equipados com um fato luminoso, a imitar o filme de 1982, que por sua vez imitava a moda dos neons – de 1982. No entanto 2010 fica a 28 anos de distância e os neons, por estranho que seja, já não estão na moda nem possuem a aura de ficção científica/tecnologia de ponta que tinham nos anos 80. São, como dizer, apenas neons, coisas banais, inconspícuas, que o raio do Tron recente nos quer vender como novidade. 

Os próprios jogos do filme cheiram a mofo e nem a extraordinária computação gráfica moderna lhes tira o cheiro. O jogo das motinhas, das naves, dos discos, são incrivelmente básicos. O jogador atira o disco, o disco pode fazer ricochetes e se bater no inimigo pum, vitória. Os aparelhos deixam um rasto neon num fundo preto, e se os inimigos tocarem no rasto pum, rebentam. Numa era em que há jogos que simulam ambientes como cidades ou florestas com um realismo satisfatório, onde se pode quase viver (não me refiro com isto a meter o corpo dentro da caixa do computador – não façam isso porque é perigoso), os rastos do Tron não podem parecer mais evoluídos que um bode numa estação espacial. Qualquer miúdo com uma Nintendo joga a coisas mais complexas que as criadas pelo maior génio informático do Tron.

Voltando ao “equipamento” dos humanos… Para além do fato de neons tinham acoplado às costas um disco. Uma memória. Uma espécie de disco rígido (creio que é mesmo essa a intenção) mas do tamanho de um LP em vinil e com neons, que registava o que faziam e pensavam e não-sei-quê, e que era por isso a peça mais importante do equipamento. Ora bem, um disco, a informação, é sempre algo de precioso, algo que um comum mortal não quer perder – e muito menos os evoluídos génios de Tron. O que remete para uma adivinha: qual era a arma que usavam no jogo do disco? Exacto. E para lutarem? Precisamente. Era esse disco que arremessavam uns aos outros. Se a mente que idealizou Tron fosse responsável pela segurança do Louvre a Mona Lisa apareceria enrolada no bastão do guarda.

E… para além disso não me lembro de mais nada suficientemente idiota acerca da indumentária. Excepto talvez se recordar que os criadores deste filme resolveram vestir programas. Não sei o que é mais estranho, se programas de computador surgirem em forma humanóide, com braços e pernas, ou aparecerem vestidos. Talvez fosse para ninguém perceber que tinham uma porta USB em vez de cu. Para ser justo tenho de terminar com outra hipótese: a de eu não ter percebido alguma coisa. Talvez um programa tenha feito cocó quando eu já estava na fase de tentar comer pipocas com as córneas.

Resumindo, porque tenho de me ir deitar, Tron o Legado é um bom filme. Pnish, não é preciso tanto comedimento: é mesmo excelente. Não me cansarei de o recomendar, juntamente com doses maciças de Fenobarbital, a todo o Homem que sonhe um dia bater com a cabeça no laptop e acordar lá dentro abraçado ao Word, no deslumbramento de um wallpaper, à espera que o Firefox traga o charuto. Que grande aventura esses viverão: Tron fá-los-á crer que já bateram com a cabeça.

Para os outros, porém, Tron o Legado não é um filme, é uma perda de sentidos, uma constipação da inteligência, a anti-matéria da sensatez.

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Uma análise lúcida das eleições

Uma análise lúcida e sensata das eleições por José António Saraiva.

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