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Archive for Junho, 2009

Michael Jackson

 

Michael Jackson morreu, e com ele a minha ilusão. Foi-se da maneira mais banal. Não era isso que esperava. Esperava que se decompusesse ainda em vida e no fim fosse desmembrado por crianças-zombie. Ou desencaixar-se-lhe a cabeça de repente, num palco, em directo. Algo espectacular, que fizesse valer a pena licitar um órgão no ebay. Mas ataque cardíaco… Chiça, parece um daqueles filmes que acabam bruscamente, sem desfecho.

 

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Carvalho da Silva e a luta das letras

 

O Carvalho da Silva é o homem das 3 lutas: luta contra o tempo, luta contra a realidade e luta contra a inteligência. Consta também que é o mais asseado dos portugueses: até faz lavagens ao cérebro. Ou pelo menos tenta. E ainda que, apesar dos seus discursos estilo disco riscado, é um ser humano, não uma grafonola soviética, tem a quarta classe e também sabe ler.

Descobrindo isto, alguém na RTP achou que seria boa ideia pôr o homem a dar a cara por uma campanha pró-leitura e propôs-lhe uma quarta luta, a mais difícil de todas : a luta das letras. O homem, por dever profissional (um sindicalista tem o dever de aproveitar todas as oportunidades de aparecer), leu o teleponto de forma tão deficiente que a mensagem que passou foi (está a ser…) tão eficaz como a de um esquimó que fizesse propaganda ao turismo no Algarve.

Porque é que usaram um leitor tão infeliz quando tinham tantos à escolha, mesmo dentro do Partido Comunista? A única explicação que encontro é uma espécie de compensação por um acto da RTP que magoou a CGTP no início deste ano: um anúncio… Bom, não vale a pena descrever, basta ler a notícia publicada pouco depois:

«A administração da RTP mandou retirar um anúncio de promoção da Antena 1 que causou escândalo generalizado pela sua carga ideológica. No anúncio ouve-se a voz de Eduarda Maio, subdirectora de informação da RDP, a transmitir a mensagem implícita de que as manifestações são convocadas contra os que querem trabalhar.

Ao fim da manhã de hoje, os provedores do público da RTP e da RDP emitiram um parecer conjunto reprovando o conteúdo do anúncio e recomendando a sua retirada imediata. O conselho de administração reuniu-se de emergência e deu seguimento à recomendação dos provedores.»

A CGTP não gostou, portanto retirou-se o anúncio. Era “anti-democrático”. Toda a gente sabe, e a administração da estação pública confirma, que democracia em português significa ter sindicatos instrumentalizados por partidos com o marxismo-leninismo nos estatutos, de preferência com poder suficiente para condicionar os conteúdos informativos do Estado. Qualquer opinião diversa é anti-democrática, e isso se não for repetida; caso contrário é apelidada de fascista, seguindo a lógica matemática norte-coreana, e tratada como tendo sido emitida pela própria PIDE.

Carvalho da Silva, com esta oportunidade única de se apresentar como um cidadão moderno e civilizado, ao estilo defensor da leitura (leitura não especificada, note-se: o que lhe deve ter custado não dizer que todos os livros não-soviéticos deviam ser queimados!) e sem uma palavra sobre a destruição do capital, perdoou à RTP por essa infâmia de índole salazarista que é ter um ponto de vista distinto do da CGTP. Agora a normalidade está reposta, sigamos em frente com as greves gerais e a alegria também generalizada que elas distribuem por toda a população, sem excepções. Sem elas onde iríamos nós e o PCP? Vamos lá continuar a ser felizes com os distúrbios no trânsito e nos transportes, nos empregos e nas escolas. Porque afinal é assim que se faz progresso. Há uma crise mundial? O PIB diminui drasticamente? O Estado acumula dívidas? Só há uma solução: reunir um número suficiente de pessoas que causem distúrbios para impedir a maioria de trabalhar normalmente. Depois disso, está provado, o PIB sobe em flecha, as dívidas do Estado diminuem e o BCE, sensibilizado, recupera as retortas do Merlim e extermina a crise.

O mesmo para a educação. Temos um sistema educativo deficiente? Os professores não conseguem ensinar? Os alunos são mentecaptos e preguiçosos? Os pais dos alunos deviam estar num zoo? O Ministério da Educação é um hospício? As universidades e os politécnicos não têm vontad€ de melhorar? A investigação terminou com a Dinastia de Avis? A solução é óbvia: pare-se tudo com greves e manifestações. Tirem-se os alunos e os professores das escolas – porque o sistema educativo só vai melhorar quando todos estiverem nas ruas com faixas e megafones. É assim que se tira um curso de engenharia, de arquitectura, de música: a lutar nas ruas. Não foi assim que o Carvalho da Silva trilhou o caminho para os melhores restaurantes de Lisboa? Materialismo dialético, suas bestas.

E já agora, enquanto entopem, e muito bem, a Avenida da Liberdade – leiam livros. É o conselho do vosso mestre, o facundo, perspicaz e científico professor doutor Carvalho da Silva. Comecem pelas faixas e panfletos e continuem pelo teleponto, da esquerda para a direita, uma palavra de cada vez. Uma sequência de palavras terminada por um ponto final, um ponto de exclamação ou um ponto de interrogação é uma frase. Não liguem a outras pontuações nem ao significado da frase, porque esse conhecimento, sendo desnecessário, é considerado burguês. Fixem apenas isto: se for um ponto final façam a expressão séria de quem sabe toda a verdade; se for um ponto de interrogação usem o ar espantado de quem foi atingido por um tijolo; e se for um ponto de exclamação urrem como se não houvesse amanhã. Faz parte da leitura intercalar com as tais frases, quando se quiser, gestos bruscos e palavras de ordem. A leitura é, como uma manifestação, um enorme esforço que deve ser recompensado no fim com um jantar empanturrante em nome da igualdade. São os conselhos do meritoso e saciado Carvalho da Silva.

 

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Tracy Chapman é um homem

 

“Sua voz, por ser grave demais, é quase sempre confundida com a de um homem.

É o que diz na Wikipedia, nem sei como, porque é politica e socialmente incorrecto dizer-se que a voz de um homem se confunde quase sempre com a de um homem… Quase? É quase ofensivo.

Creio que é mais provável a Tracy Chapman ser um homem do que o José Castelo Branco heterossexual. Há 20 anos que penso assim.

Comecemos pela voz: é a de um homem. E não é “quase sempre”, é sempre. Não há um teledisco, uma entrevista, um arroto da Tracy Chapman que seja feminino. Aliás, do Tracy Chapman.

O nome, Tracy, é ambíguo. Tanto dá para mulher como para homem, e deve ter sido essa a razão da escolha para nome artístico. Não sei porque as pessoas associam Tracy a mulheres. Talvez seja porque a Tracy Lord é mais amplamente conhecida que o jogador de basquetebol Tracy McGrady. Dick Tracy e Spencer Tracy são famosos, mas como o Tracy está no apelido o povo não associa. Existe a variante “Tracey”, como a do actor Tracey Walter, mas é uma variante. Não adianta tentar achar razões para os preconceitos do vulgo. Hoje em dia são os órgãos de informação – as televisões, as revistas – que determinam o que é aceite como verdade, e esses quiseram, por alguma conspiração que me escapa, vender Tracy Chapman como mulher.

Quanto ao apelido, fizeram um mau trabalho. “Chapman”, terminando em “man”, não esconde grande coisa. Tem por origem “Chipman” ou “Shopman”, que quer dizer comerciante, vendedor… Vendilhão. Homem-vendilhão-que-cospe-no-chão. Irrevogavelmente masculino.

Houve uma clara intenção de promover a ambiguidade nos telediscos. Já viram o do “Fast Car”? Toda a gente já viu, já viu que não vê nada: tudo escuro, raramente se vislumbra mais do que um bocado do rosto do cantor. Nas poucas cenas claras ele não está. Canta na penumbra – para esconder o género.  No “Crossroads”, põem-no numa sala escura, com um fraco ponto de luz que raramente varia de posição. Na maior parte do tempo a cara está na sombra. E o corpo nunca se foca. Isso é uma constante nos telediscos: ou não aparece o corpo, ou Tracy Chapman usa uma ampla guitarra para o ocultar. Em concertos ao vivo usa um cabelo parecido com o do Terence Trent D’Arby – para se esconder.

Por fim, os temas das canções, pejados de testosterona, não enganam. “Fast Car”:  que género se interessa por carros rápidos? Masculino. “Talkin’Bout a Revolution”: quem é que se interessa tipicamente por política? Os homens.  “Born to Fight”, “Bang Bang Bang”: luta, tiros, armas… homens. “I Used to Be a Sailor”… alguma dúvida?

Mas a realidade pode ser complexa. Pode ser uma disfunção hormonal, uma mudança de sexo, uma falsa impressão… Afinal há velhas com bigode e lésbicas parecidas com o Tony Ramos; há a obesidade mórbida, que faz certas pessoas na praia parecerem enchidos. Como é possível ter mesmo a certeza? A única maneira conclusiva seria um teste de ADN – pois façam-lhe o teste, ouçam a história dos genes e reponham a verdade. Eu não investigo mais do que isto porque tenho medo.

 

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Os Santos Populares

 

A época dos Santos Populares faz-me lembrar aqueles filmes de terror em que os personagens, por muito que se esforcem, não conseguem sair do sítio amaldiçoado onde estão. Tenho pesadelos em que sou perseguido pelo Santo António com um manjerico em cada mão, enquanto São João me atinge com marteladas sonoras e São Pedro me rebenta foguetes nos tímpanos. À minha volta uma multidão de idiotas com cheiro a sardinha berra e mastiga ao mesmo tempo, entupindo as ruas para me tapar a fuga.

Porque é que não gosto dos Santos Populares?

Primeiro, porque não lhes consigo fugir. Mas disso tratarei mais à frente.

Segundo, pela incoerência. Um santo é um mártir sagrado, alguém que sacrificou a sua vida pela vida dos outros, alguém que fez coincidir os seus interesses com os interesses alheios e obteve, pela virtude, a eleição dos Céus e da Igreja. E o que faz o povo para lhe prestar honras? Embebeda-se, pendura balões, assa sardinhas, faz desfiles carnavalescos, urra zoologicamente e explode cartuxos de pólvora.

Terceiro, pela injustiça. Aos olhos da Igreja e de Deus os santos são todos igualmente virtuosos; no entanto, aos olhos do povo, que nem participa no processo de canonização, há um tratamento distinto tratando uns como “santos populares” e outros, deduz-se, como santos impopulares.  O que é que os santos António, Pedro e João têm que os outros não têm?

Santo António, enfim, foi português, podendo-se ver o seu culto como uma espécie de celebração, ou ridicularização, nacionalista. “Para além de santo era português”, diz se calhar o povo. No entanto ao recém-canonizado Nuno Álvares Pereira não se oferece sequer uma sardinha, quando também ele nasceu em terra lusitana e, pelo que sei, foi muito mais relevante para Portugal do que o Santo António. Ao Condestável pode agradecer-se a independência nacional; ao Santo António pode agradecer-se, no máximo, ter escolhido a Itália e a França para emigrar em vez de algum reino espanhol.

Mas se o calor do povo vem da nacionalidade, então porque presta honras especiais a São João? Tanto quanto sei, as festas referem-se a São João Baptista, que era judeu e vivia algures perto do rio Jordão. Não teve nada a ver com a Península Ibérica, manjericos, martelos de plástico, alhos-porros e saltos sobre fogueiras. Para se ver que extremo atinge o desrespeito pelo santo atente-se na letra da canção mais popular destes festejos:

Santo António já se acabou,
O São Pedro está-se a acabar,
São João, São João, São João,
Dá cá um balão para eu brincar.

São João Baptista, portador da palavra do profeta Elias, pregou a vinda do Messias, baptizou Jesus, foi preso e decapitado por Herodes por jamais renunciar à sua sagrada missão. O povo pede-lhe milagres? Não. Pede-lhe um balão. Para brincar. E ninguém, ateu ou crente, católico ou protestante, se espanta com isto. A própria Igreja assobia para o lado. O que é preciso é a festa continuar, de preferência a rebentar morteiros à uma da manhã.

Fora do contexto das “festas populares” esta cantilena teria o aspecto repulsivo de uma grave falta de respeito, ou mesmo de uma heresia. Imagine-se um devoto, na igreja, ajoelhado diante de Cristo crucificado, rezando “Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade… e já agora dai-me cá um balão para eu brincar”. Ou então um católico arrependido, prostrado no confessionário, a cumprir o sacramento da penitência desta forma: “Perdoai, Senhor, porque pequei. Votei na CDU. Cuspi em dois mendigos. Violei o coro de Santo Amaro de Oeiras”. “E que esperas tu de Deus Pai, meu pobre filho?” – pergunta o padre. O pecador contorce-se entre pensamentos mortificantes, como se o próprio Inferno acontecesse dentro da sua cabeça. E depois, com determinação e fé, levanta os olhos e responde: “Pode ser um balão. Para eu brincar”. O padre faz um aceno triste com a cabeça e lamenta: “Já só tenho manjericos”.

Algo idêntico acontece com São Pedro, com a agravante de que este, para além de santo, foi um dos apóstolos. Porque merece São Pedro este espectáculo e não os outros apóstolos? São Mateus, por exemplo: é dele um dos evangelhos que constituem oficialmente o Novo Testamento, e apesar disso o povo não o acha merecedor de festejo. Terá São Pedro, porventura, algum evangelho canónico? Não tem. Então porque merece mais honras?

Chega de justificar todas as incoerências e palhaçadas populares relativas à Igreja e às suas figuras com antigos rituais pagãos. É quase certo que é essa a razão de tanta histeria nos solstícios (datas mágicas – uuuh, que mistério haver um dia ou uma noite maior do que todas as outras), mas não faz sentido usar homens castos para comemorar a fertilidade. Na era da informação é preciso repôr a verdade. O povo não pode ser ignorante para sempre. E se for, paciência. Que chame solstícios aos solstícios e deixe os santos no seu glorioso silêncio, sem o odor a sardinha. A fé decai, o homem comum já não quer intermediários entre si e as divindades, já não acredita que a Bíblia foi exclusivamente escrita por mando de Deus; o homem moderno, habituado a puxar de aparelhos que, em segundos, o põem em contacto com qualquer um em qualquer ponto do planeta, pretende que ele próprio tem poderes para compreender o Criador do Universo, e para comunicar com Ele, como se fosse uma extensão espiritual do telemóvel. Pois que o faça e deixe a Igreja e a sua liturgia em paz, em vez de estupidificar mártires que nenhum mal lhe fizeram. Ou talvez tenham feito. Talvez seja uma estupidificação motivada por vingança, a troco dos séculos de aparvalhamento imposto pela Igreja Católica.

Que dizer, então? Que reconheço legitimidade nessa vingança, se assim é, mas que há inocentes no fogo cruzado: uma minoria, da qual faço parte, que não gosta do histerismo geral (ampliado por um ano repleto de campanhas eleitorais), do cheiro a sardinha, do barulho hediondo dos urros, dos foguetes e da música pimba saída de colunas sobreviventes à guerra civil espanhola, dos fatos circences, das bebedeiras em massa…; uma elite que não gosta, sobretudo e com todo o direito, do carácter bairrista da festa, que faz com que ela aconteça em todo o lado, sendo quase impossível escapar-lhe. Caramba, é fácil não ir à Festa do Avante e outros comícios do PCP, é fácil evitar o circo, é mais ou menos fácil escapar ao futebol – basta não ir aos estádios e não ligar a televisão. Mas das festas populares para se fugir é preciso ir para um daqueles raríssimos pontos do globo onde não existem portugueses (talvez o Pólo Norte), porque em toda a parte se vêem os balõezinhos de papel, se cheiram as sardinhas e se ouvem os rebentamentos dos foguetes, e em torno disso tudo, como formigas aglomeradas sobre um pedaço de vómito, os populares com as suas expressões ofuscadas a mastigar, a berrar e a entupir as ruas.

Por favor, em nome da civilização vos falo: metei as festas todas no mesmo sítio. Ouvi falar numa mancha de lixo gigantesca, do tamanho de duas penínsulas ibéricas, à deriva no Pacífico; pois façam aí todas as festas populares, os festivais de verão, os Globos de Ouro da SIC e os comícios da CDU. Se o lixo não tiver consistência para suportar tanta gente, tanto melhor. Se se esforçarem devidamente, ano após ano, um dia terão um continente inteiro só vosso, só para isto.

 

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Vamos lá ver os estatutos…


Estatutos do PCP :
http://www.pcp.pt/partido/congresso17/estatutos.pdf

 

O PCP não esconde (nos estatutos) o que realmente defende:

 

Artº 2º

O PCP tem como base teórica o marxismo-leninismo: concepção materialista e dialéctica do

mundo, instrumento científico de análise da realidade e guia para a acção que

constantemente se enriquece e se renova dando resposta aos novos fenómenos, situações,

processos e tendências de desenvolvimento.

 

É, por coincidência, a base teórica de regimes que exterminaram dezenas de milhões de pessoas no século XX… Isto é a mesma coisa que um partido de extrema-direita com expressão parlamentar ter nos estatutos a “base teórica da ariosofia e do nazismo” – algo que seria, pela nossa alegre Constituição, proibido.

 

*

 

Estatutos do BE : http://www.bloco.org/media/estatutos5convencao.pdf

 

Surpresa. O BE não refere o Trotskismo. Os estatutos parecem vir de um partido de centro-esquerda, que apenas se preocupa com a liberdade e a democracia de um ponto de vista socialista mas não radical.

 

Ou seja, escondem-se muito mais do que o PCP. Para encontrar a sua verdadeira alma é preciso vasculhar pelos estatutos do… PSR. Que dizem isto :

 

1.O PSR é a secção portuguesa da IV Internacional. O seu objectivo é a revolução socialista que destrua o sistema capitalista e a exploração do Homem pelo Homem, criando as bases para o desenvolvimento de uma sociedade socialista, iniciando a destruição do Estado pela instauração da mais ampla democracia social e pela associação livre dos produtores. A adesão a IV Internacional baseia-se no acordo com os seus princípios programáticos: os documentos fundacionais dos Congressos da Internacional Comunista, da oposição anti-estalinista e da fundação e dos Congressos Mundiais da IV Internacional, nomeadamente a resolução "Democracia Socialista e Ditadura do Proletariado".

 

Chiça, aqui sim, os verdadeiros propósitos: uma sociedade socialista “pura e dura” baseada na destruição do sistema actual; oposição anti-estalinista (trotskismo); “ditadura do proletariado”.

 

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