Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Março, 2007

Ditador ou Salvador?

A RTP fez, por acaso, serviço público, estando finalmente ao serviço da
liberdade de expressão em Portugal. Pode ser que, no futuro, não se tenha de
levar sempre com a versão de esquerda da História e qualquer um possa expressar
livremente as suas ideias, sem ruído, sem interrupção e sem uma pronta
descredibilização como agora acontece. Pode ser até que se consiga defender
ideias que não são de esquerda ou centro sem se ser logo rotulado de "fascista"
e censurado. Isso seria positivo para a dita "pluralidade" e para o
país.

Nada muda de repente, vemos hoje o mesmo tipo de ruído e propaganda que
perturba a verdade desde a "revolução". Os mesmos analistas e intervenientes
políticos, com os mesmos argumentos, lá vão saindo dos seus buracos para fazer
cada um o seu teatro de revista anti-fascista. Não é surpresa que, a par do
resultado de um concurso, saia logo um estudo de opinião preparado para
desmentir, ou suavizar, o resultado. Porque os militantes e moralistas do
politicamente correcto, com maiores ou menores tiques de elite, fazem este tipo
de coisa sempre que alguém sussurra, à opinião pública, uma opinião contrária à
estabelecida, de jure e por decreto, como a certa.

O que é que há de novo? Temos o resultado de uma votação auditado por uma
empresa estrangeira num programa tipo concurso sobre o maior português de
sempre. E ganhou, destacado (41%, a 22 pontos do segundo), António de Oliveira
Salazar, totalmente contra a corrente de opiniões que escoa diariamente nos
media.

Essa corrente vai reforçar-se nos próximos dias e pelo menos até ao final de
Abril. Depois deste resultado, muitos acharão necessário introduzir mais ruído,
repetir as ideias feitas contra o Estado Novo, reforçar uma imagem demoníaca de
Salazar, enfim, continuar o programa de lavagem cerebral iniciado em 74. Após o
resultado ter sido divulgado, ninguém pareceu muito à vontade no estúdio.
Praticamente todos procuraram uma desculpa para o resultado – ou para não o
analisarem. É como quando as crianças puxam a barba do Pai Natal e vêem que é
apenas o tio: o choque fá-las entrar numa fase de negação. Parece-me que esse
estúdio é uma amostra razoável do panorama intelectual português, ainda em fase
de negação. Não sabem bem o que fazer. Podem acontecer duas coisas: a saída
saudável mas difícil, que será enfrentaram a realidade e aceitarem a História,
ou a saída doente mas fácil, que será convencerem-se todos outra vez que o seu
mundo de fantasia é o mundo real.

Vejamos os argumentos, ou melhor, os lugares-comuns que se usaram e
continuarão a usar para prossegui no caminho fácil:

1. O básico, repetido como por um papagaio na enorme massa "pensante" do
politicamente correcto, é o que diz, sempre com muita convicção: "se Salazar
ainda existisse não podíamos estar aqui a discutir isto ou aquilo".

É um
lugar-comum mágico, verdadeiro feitiço arrancado de uma história de Harry
Potter, porque em qualquer situação transforma do seu emissor um mensageiro da
liberdade – mesmo que seja defensor de um regime marxista. Este "argumento", no
entanto, não só não invalida que um grande líder seja um grande líder (na
História existiram muitos grandes líderes em regimes não-democráticos – os
historiadores de esquerda que tentem provar o contrário), como também pode ser
aplicado a todos os outros finalistas à excepção de Aristides Sousa Mendes, que
nem teve poder para poder ser julgado desta forma. Se há 50 anos esta
votação/debate não podia existir, há 500 ou 800 ainda menos. Logo é um argumento
pouco criativo e de efeito zero numa mente racional.

2. As pessoas quiseram dar um voto de protesto ao actual estado de coisas
votando em Salazar.
Isto é, não gostam dele, nunca gostaram, nunca poderão
vir a gostar ou ver nele uma migalha de valor – o que acontece é que, como a
democracia não trouxe a felicidade plena (nem, pelos vistos, meios de protesto
suficientes), a população decide protestar votando em massa num programa
televisivo. Se isto fosse verdade, isto é, se os descontentes-que-votam-contra
fossem tão expressivos, o PCP ou o Bloco de Esquerda já tinham tido maioria
absoluta há muito tempo. Mas nunca tiveram – longe disso. A grande maioria dos
votos é dada ao centro, apesar de serem os partidos de centro que governam e
sofrem desgaste. Portanto os gurus desta teoria do "voto de protesto" em Salazar
têm de explicar como é que há uma proporção tão pequena de protestantes radicais
em outras votações ou sondagens. Ou ficarem calados. Entre uma e outra,
geralmente optam por insistir na mesma ideia como uma mosca a bater numa
vidraça… Mais um caso de pouca imaginação.

3. As pessoas votaram em Salazar por ignorância.

Não sabem, votaram ao
calhas e acertaram em Salazar, que rima com azar. Geralmente esta ideia é
suavizada com um discurso deste tipo: "ainda não passámos [nós, a elite
intelectual dos esclarecidos] bem a mensagem ao povo, temos de insistir e
continuar a lutar para que as pessoas percebam". Isto falha em dois pontos.
Primeiro, considera fracos os preconceitos instaurados contra o regime
salazarista – que não são poucos. Segundo, há muitas pessoas que viveram no
Estado Novo. Um português hoje com 50 anos, digamos, teria 17 em 1974 e já se
lembraria de algo. Cerca de metade da população encaixa nesta faixa etária. Se
Salazar foi tão terrível como diz a propaganda, como é que estas pessoas não se
aperceberam disso? É muito estranho – ou muito estúpido. Talvez as pessoas com
mais de 50 anos não saibam mexer em telemóveis para votar nestes programas, e
por isso não contem. Seja como for, assumir que quem tem menos de 50 anos é
ignorante não tem qualquer fundamento.

4. O argumento PCP: há um plano secreto dos fascistas para regressar ao
poder
. A RTP e a Price Waterhouse Coopers, ignorando a Constituição,
uniram-se aos salazaristas ("fascistas" no vocabulário da enciclopédia das
edições Avante!, que é um termo que engloba todo o espectro da direita, mais os
capitalistas, os judeus, os monárquicos e todos os críticos da esquerda) e
planearam copiar um concurso feito em outros países para promover o nome de
Salazar. As votações foram falsas, mas eficazes. Um exército de salazaristas
conspira para tomar o poder, sendo o último bastião da liberdade e da democracia
o PCP. Perto disto a Guerra Fria foi mero um jogo de berlindes. A luta continua.
No final, todos serão felizes para sempre desde que pertençam ao PCP, não o
tentem renovar e concordem com a existência de democracias maduras em Cuba e na
Coreia do Norte, assim como com o facto indesmentível da reforma agrágria ter
sido óptima para o país.

Não me parece que qualquer destes argumentos possa ser fundamentado. Os
melhores analistas vão fazer dar-lhes um aspecto interessante e colorido, mas
quem rema contra a lógica e os factos acaba por naufragar mais tarde ou mais
cedo.

Pessoalmente parece-me que os motivos são outros:

1. Oportunidade de mostrar que merecemos mais do que a pobre e
estupidificante versão do Estado Novo, do Salazar e do 25A com que nos moem a
cabeça desde a escola primária.

Merecemos uma análise histórica com rigor
científico e honestidade no que diz respeito à nossa pátria. Não queremos
versões revolucionárias e anti-fascistas da realidade – queremos somente a
realidade. Não queremos julgamentos feitos e empacotados. Queremos os factos e a
liberdade de os julgar como entendermos melhor.

2. Voto de protesto, sim, mas pela liberdade de expressão. Um país só é
livre quando todos podem ter a opinião que entenderem e formarem os partidos e
associações que acharem melhor, independentemente da sua ideologia, credo ou
raça. Ninguém pode acreditar nisto enquanto a própria Constituição proibir a
manifestação de uma ideologia.

3. Cura do complexo anti-salazarista. Aceitar o passado, em vez de o apagar
da memória, é a melhor terapia para um país traumatizado.
Restaurar o
verdadeiro nome da ponte sobre o Tejo, construir o museu Salazar, falar sobre o
Estado Novo tal como ele foi, com as suas virtudes e defeitos, no seu contexto
histórico, sem preconceitos. Já nos libertámos do salazarismo – alguém duvida?
Só falta libertar-nos da doença anti-salazarista que alguns querem perpetuar.
Esta votação pode ter sido um primeiro passo.

4. A mensagem de que virtudes como o patriotismo, a honestidade, a lealdade,
a rectidão moral, a capacidade de liderança, são importantíssimas num homem de
Estado, e que poucos existiram até hoje como Salazar nesse aspecto.

5. A importância de Salazar no contexto do século XX.

A estabilização política, o crescimento da economia, a
neutralidade na Segunda Guerra. Muitos sentem que devem isso a Salazar. Tal não
quer dizer que gostassem do regresso de um Salazar, penso, ou mesmo que
simpatizassem com ele. Quer apenas dizer que reconhecem o seu papel na vida
nacional.

6. Voto contra Álvaro Cunhal. Sem dúvida, um motivo também muito válido e
também já referido ontem por Paulo Portas. Apesar de fraco. É o único argumento
que poderá coincidir com o "politicamente correcto", porque serve de
desculpa.

Nenhum dos motivos, porém, me parece ter sido eleger Salazar como o maior
português de sempre. Nem o segundo classificado teve tais motivos, nem o
terceiro, pelo que o concurso não deixou de ser, nem na conclusão, algo mais
relevante que o novo Big Brother da TVI.

Uma coisa vale aquilo que se dá por ela. A água, que no deserto vale mais que
diamantes, na cidade vale menos que um BigMac. Vejamos o impacto que terá esta
votação na sociedade actual, durante os próximos dias. Quanto mais palermas a
negar o óbvio, mais mérito para o programa e mais louros para o grande
estadista.

Anúncios

Read Full Post »

O Bobo e a Pedante

Algo continua podre na república portuguesa. Um
suposto moralismo absurdo e a cheirar a bafio continua a ser bombardeado pelos
supostos pais, ou padrastos, ou, neste caso, primos bastardos, do 25 de Abril de
74.

Até parece que estão contentes com o sistema, que
defendem todas as liberdades e nunca chamaram fascistas a certos governos
democráticos, mas é tão óbvio que se opõem ferozmente à liberdade de expressão,
de ignorância ou de pensar de outra forma, que a figura que transmitem é a de
bobos da república fossilizados. Querendo dar a imagem de modernos liberais, são
na verdade fósseis conservadores e dogmáticos incapazes de admitir a mudança, a
diferença e a verdade. Possuem mais ou menos o estilo salazarista mas sem a
integridade, a frontalidade e o poder.

Falo em concreto das opiniões do "juri" Rui Zink e
Clara Pinto Correia no "A Bela e o Mestre" de ontem, na TVI. Eles são sinceros,
na medida em que mostram o que são e o que gostariam de ser: posicionam-se como
intelectuais de vanguarda, tutores espirituais das novas gerações, e participam
em programas deste género. São aquele tipo de professor porreiro que todos
gostaríamos de ter. Um deles até tem sentido de humor. É comunista, mas isso,
como se diz, não faz dele um comedor de criancinhas. Os comunistas são
inofensivos, e porreiros, como toda a gente tem pelo menos de ouvir dizer há
mais de 30 anos em Portugal. Os comunistas até são úteis numa democracia, porque
nem os melhores mecanismos de contra-poder são suficientes: não, serão sempre
necessários os comunistas e o seu controlo sobre associações de estudantes,
sindicatos, grupos de teatro e partidos fantasma. E mesmo que assim não fosse,
teremos sempre a dívida histórica da luta contra o salazarismo por pagar – e
terá de ser paga a qualquer preço, pelos vistos. Quanto aos que falam no PREC,
na censura imposta pelo PCP, nas violações dos direitos humanos desse período,
na reforma agrária e no retumbante desastre económico que tal causou, é preciso
compreender o contexto. Afinal houve uma revolução, é suposto haver estas
coisas. Depois de uma revolução até os gajos porreiros cometem excessos. Seja
como for, a liberdade começou com o 25 de Abril porque é lógico: o fim de uma
ditadura sempre correspondeu, na História, a um início de liberdade.

Esta é a mensagem que nos querem passar há mais de 30
anos. E depois ficam espantados que as gerações mais novas não lhe peguem. É
como vestir um miúdo com um saco de batatas e querer convencê-lo que é
Billabong. Os miúdos não são estúpidos. Ao menos tivessem arranjado uma mentira
– não, uma "interpretação da realidade" – coerente, para pessoas racionais e não
para retardados. Mas talvez não fosse possível outra, talvez a tradição
portuguesa para a confusão não tivesse deixado, ou talvez tivessem assumido que
o povo português seria sempre, em maioria, um povo de retardados. Em vez de uma
versão inteligente do Estado Novo e da revolução, que incorporasse todos os
dados, mesmo que com um toque subtil para distorcer "democraticamente",
elaborou-se um digníssimo resumo para mentecaptos, uma coisa a que a elite
intelectual teve de se colar e continua pateticamente a defender. Método e
subtileza não são características desta república. Acabámos por ficar com o
"resumo Mário Soares" desta história, pior do que um daqueles livros de resumo
que se compra em vez da própria obra porque pejado de buracos e incoerências. Há
mais demónios nesse conto do que na Bíblia e mais distinção entre o bem e o mal
do que nos livros da Marvel. Há que dizê-lo em nome da liberdade: a Lili Caneças
teria feito melhor a explicar o Estado Novo e a revolução. A versão que os
"paizinhos" do 25A nos querem impingir diariamente não pode resultar numa era em
que a informação circula. Defendê-la de forma dogmática torna-se um acto tão
mais patético quanto mais longínquo das confusões de 74.

Rui Zink é um comunista com humor. Mas na verdade
esse humor serve para disfarçar o pedantismo que o cobre da careca aos pés. Isso
inclui a roupa, propositadamente ridícula para se distinguir do estereotipo
engravatado e sério do pedante. O Rui Zink quer parecer um professor radical e
porreiro, que entende os alunos porque por dentro é tão jovem como eles. No
entanto, só por fora é como eles. Por dentro é um servo do partido e da
ideologia marxista. Isso é notório na maioria das suas palavras. As metáforas
com os americanos e o Iraque num programa de divertimento tipo "Big Brother" são
suficientes para o ilustrar. Portanto a partir daqui vou referenciá-lo como o
bobo.

Tanto ele como a Clara Pinto Correia estão para
aquele programa como um mimo para um velório. O primeiro parece estar só há
procura da primeira oportunidade de fazer a metáfora anti-americana ou a
doutrina anti-fascista. A segunda parece estar só em busca do momento em que
possa surpreender o universo com a sua vastíssima cultura, recitando poemas ou
revelando autores dos poemas recitados por outros, bem como, qual Padeira do
politicamente correcto, cão-de-guarda do lugar-comum, lutar implacavelmente por
essa cultura. Não é preciso analisar o seu mapa astral para se ver que é uma
convencida emproada e pedante que confunde o seu quintal com o mundo. Irei
referir-me à Clara Pinto Correia como a pedante a partir daqui, para
simplificar. Se estes dois fossem concorrentes, o programa poder-se-ia chamar "o
Bobo e a Pedante".

O que aconteceu ontem foi isto: já no final do
programa, era necessário o juri tecer um comentário sobre cada equipa. Assim que
teve oportunidade, a pedante não a deixou escapar: em modos curiosamente
autoritários e salazaristas, criticou uma concorrente por ignorar o que tinha
sido o 25 de Abril. Que desplante, que paradoxo! Tinha a obrigação, como toda a
gente, de saber o que era o 25 de Abril; não estaria ali, e não haveria aquele
programa nem a TVI, e estariam presos, se não fosse o 25 de Abril, etc, etc.
Enquanto lhe sobrou tempo, o sermão do lugar-comum, soarizado, sobre o 25A
abateu-se sobre a cabeça da herege ignorante. A sua cadeirinha de juri
transformou-se num cadeirão de juiza ou púlpito de pregador, num programa que de
concurso se transformou em tribunal ou igreja.

O bobo veio continuar a evangelização. Suavizando, ou
"jovializando", a mensagem com o seu humor, veio dizer a mesma coisa.

A Marisa Cruz manteve-se, de forma muito mais
sensata, longe destas figuras e falou de acordo com o conteúdo do
programa.

Por fim, o espanhol surpreende. Responde em defesa da
concorrente, ou melhor, do bom senso, explicando que as gerações mais novas
muitas vezes não necessitam de saber certo tipo de conhecimento considerado
fundamental por alguns. Disse que a concorrente não era estúpida nem tinha uma
falha gravíssima – apenas que, na sua vida e profissão, nunca precisou de saber
certas coisas, ignorando-as naturalmente. Tal desdramatizou o que o bobo, e
principalmente a pedante, se tinham esforçado tanto por enfatizar. Assim que teve a palavra, a pedante, ignorando uma vez mais o que devia
fazer, apressou-se a recuperar a sua posição – atirando o lugar-comum (que
surpresa) que diz que "o saber não ocupa lugar". Como se isso justificasse toda
a gente ter de saber as coisas que ela considerava importantes no seu quintal
tomado como universo… É uma defesa fraquíssima, que mostra bem a "força" e a
"preparação" dos fundamentalistas da versão cor-de-rosa da História. O facto de
sentirem a necessidade de responder de imediato a qualquer dúvida ou opinião
divergente, em qualquer tipo de programa televisivo, mostra também até onde vai
a sua "confiança" nessa versão…

Por fim um último ponto: estamos muito mal quando é
um espanhol o único a colocar um pouco de bom senso num programa
português.

Read Full Post »

Trivialidades : Apologia da Ronha

Hoje acordei com uma sensação de felicidade plena, como se nada mais tivesse
de haver no universo além de mim e dessa sensação. Não foi por ter sonhado nada
de especial, creio, porque o pouco que me lembro do sonho resvala para um
pesadelo leve. Foi naquele tempo mágico entre o fim do sono e o acordar
realmente: o limbo. Há aí uns minutos que não se medem em unidades de tempo e
são como a luz da manhã quando ainda o Sol não nasceu. Se a vida fosse uma obra
cinematográfica, estariam aí estudos de genéricos possíveis: iniciais e
promissores ou finais e conclusivos, como uma suma pacífica do passado, uma
síntese de toda a vida feita a seguir à morte. Talvez dormir seja semelhante a
morrer, em certas noites, e o acordar semelhante a um renascimento em paz. Se
possuir alma, e um dia ela se desprender do corpo no vasto silêncio de um
cemitério (onde só os ciprestes falam), e se lhe for permitida ainda a ilusão
das sensações, é possível que se sinta como nesta manhã.

Puxei os lençóis e foi como se me enrolasse o mar das Caraíbas.

Read Full Post »