Quando ouço o nome "Umberto Eco" ocorrem-me sempre três palavras: "barbudo", "pedante" e "prolixo". Com esta obra, porém, Umberto conseguiu ultrapassar a própria fama.
O "Pêndulo" começa como todas as obras de Umberto: com uma gigantesca cascata de informação irrelevante para a história, conversas banais enfeitadas por uma cultura enciclopédica e surreal, e pouco conteúdo. Exactamente como nos outros livros do autor, ele quer dizer, ou melhor, berrar, logo ao início, que escolasticamente até Dante se assemelharia a um macaco se comparado consigo. As primeiras páginas são feitas para esmagar quem as lê através da projecção de uma violenta quantidade de informação escolástica – mais ou menos como a absurda quantidade de pedra de uma igreja serve para fazer temer os fiéis.
Basicamente, a história desenvolve-se do cepticismo racional para o metafísico absurdo. A única mensagem que se retira do livro, e que o autor realmente deseja passar, é que Umberto é a maior e melhor enciclopédia com barbas do planeta, seja no domínio físico ou metafísico.
O artifício usado para manter o interesse, ou o estado de vigília, do leitor é um conjunto de pistas que alguém vai seguindo até ao desfecho final do grande e patético mistério com "m" maiúsculo. Até lá, os personagens vão viajando – não no raciocínio, não no tempo, não no espaço, mas pela biblioteca de Alexandria que povoa, de forma tortuosa, a cabeça de Eco.
Com esta obra, sobretudo com esta obra, Umberto mostra que é um Fausto dos nossos tempos: que fez um pacto com o diabo, trocando a alma e a criatividade por uma enorme quantidade de compêndios.
Analisando agora os aspectos negativos da obra, diria que é demasiado grande, que o fim é desajustado à história (o autor tenta concretizar, como Goethe, certos mistérios e símbolos das ciências ocultas, com o problema de não ser Goethe), o pêndulo é encaixado à martelada entre diálogos tão estereotipados como barrocos e, pior que tudo, li até à última página.
"O Pêndulo de Foucault"
- Resumo: um enigma patético é zelosamente guardado por sociedades secretas ao longo dos séculos mas está prestes a ser desvendado por um protervo com demasiado tempo livre.
- Sobre o autor: como escritor Umberto Eco continua a ser um bom professor de semiótica.
- Conselho: para quem pretender ler as obras de Lull, Paracelso, Dee, Bacon e por aí fora mas só tiver tempo para ler um resumo idiota embrulhado numa teoria da conspiração sem coerência.
- Capa: não gostei. Péssima numa prateleira de tons quentes.
- IA (Índice de Acendalha): bastante elevado, dado que é um livro grosso, com mais de 500 páginas, sem ilustrações a cores – indicado assim tanto para lareiras como para recuperadores de calor.
- Pontuação (de 1 a 10) : 5 + 1 pelo elevado IA = 6